Tabela TUSS: Guia Completo para Clínicas e Operadoras de Saúde
Entenda como funciona a Tabela TUSS, sua obrigatoriedade e como aplicá-la corretamente na sua clínica para evitar glosas e padronizar procedimentos
O que é a Tabela TUSS
A Tabela TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é um padrão obrigatório estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para identificar procedimentos, materiais e medicamentos no setor de saúde suplementar brasileiro.
Criada em 2010, a TUSS tem como objetivo principal padronizar a comunicação entre prestadores de serviço (clínicas, hospitais, laboratórios) e operadoras de planos de saúde, reduzindo erros, glosas e divergências no faturamento.
Componentes da Tabela TUSS
A Tabela TUSS é dividida em quatro terminologias principais:
1. Terminologia de Procedimentos e Eventos em Saúde
Contém códigos para consultas, exames, cirurgias e demais procedimentos médicos. É a terminologia mais utilizada no dia a dia das clínicas.
2. Terminologia de Diárias, Taxas e Gases Medicinais
Inclui códigos para diárias hospitalares, taxas de sala cirúrgica e gases como oxigênio.
3. Terminologia de Materiais e OPME
Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) utilizados em procedimentos.
4. Terminologia de Medicamentos
Medicamentos administrados durante internações ou procedimentos ambulatoriais.
Estrutura dos Códigos TUSS
Cada código TUSS segue um padrão específico:
- 8 dígitos numéricos para procedimentos
- 2 dígitos iniciais indicam o capítulo (ex: 10 para consultas, 20 para exames)
- Descrição padronizada do procedimento
Exemplo prático:
- Código: 10101012
- Descrição: Consulta médica em consultório (no horário normal ou preestabelecido)
- Capítulo: 10 (Procedimentos clínicos)
Obrigatoriedade e Legislação
A utilização da Tabela TUSS é obrigatória desde 2011 para:
- Operadoras de planos de saúde
- Prestadores de serviço credenciados
- Sistemas de faturamento e auditoria
A Resolução Normativa (RN) nº 305/2012 da ANS estabelece as regras de aplicação. O descumprimento pode resultar em:
- Multas aplicadas pela ANS
- Glosas automáticas de procedimentos
- Suspensão de credenciamento
Atualização da Tabela TUSS
A ANS atualiza a Tabela TUSS semestralmente ou quando necessário. As atualizações incluem:
- Novos códigos para procedimentos recentes
- Exclusão de códigos obsoletos
- Alterações em descrições
- Ajustes em regras de utilização
Atenção: Clínicas devem acompanhar essas atualizações no site oficial da ANS (www.ans.gov.br) e atualizar seus sistemas de gestão imediatamente.
Como Aplicar a Tabela TUSS na Prática
Passo 1: Mapeamento de Procedimentos
Identifique todos os procedimentos realizados na sua clínica e encontre os códigos TUSS correspondentes. Crie uma tabela de referência interna para facilitar o trabalho da equipe.
Passo 2: Integração com Sistema de Gestão
Seu software de gestão deve:
- Conter a tabela TUSS atualizada
- Permitir busca por código ou descrição
- Validar automaticamente os códigos inseridos
- Gerar guias com códigos corretos
Passo 3: Treinamento da Equipe
Capacite recepcionistas, faturistas e equipe clínica para:
- Identificar o código correto para cada procedimento
- Preencher guias sem erros
- Reconhecer inconsistências
Passo 4: Processo de Auditoria Interna
Revise periodicamente:
- Códigos mais utilizados na clínica
- Taxa de glosas por código
- Inconsistências entre procedimento realizado e código faturado
Erros Comuns e Como Evitá-los
1. Código Inexistente ou Desatualizado
Erro: Utilizar códigos de versões antigas da TUSS.
Solução: Mantenha seu sistema sempre atualizado com a última versão publicada pela ANS.
2. Descrição Incompatível
Erro: Código não corresponde ao procedimento descrito.
Solução: Confirme sempre a descrição completa do código antes de utilizar.
3. Ausência de Código Obrigatório
Erro: Deixar campo de código em branco ou usar código genérico inadequado.
Solução: Estabeleça validações obrigatórias no sistema de faturamento.
4. Duplicidade de Códigos
Erro: Faturar o mesmo procedimento com códigos diferentes.
Solução: Padronize internamente qual código usar para cada situação específica.
Tabela TUSS e Glosas
As glosas (recusas de pagamento) frequentemente ocorrem por problemas relacionados à TUSS:
- 35% das glosas envolvem código incorreto ou incompatível
- 22% das glosas decorrem de falta de documentação que comprove o código utilizado
- 18% das glosas acontecem por uso de código desatualizado
Dica prática: Mantenha registro fotográfico, laudos e documentação que comprove a realização do procedimento conforme o código TUSS informado.
Diferença entre TUSS e CBHPM
Muitos profissionais confundem:
- TUSS: Padronização de códigos e terminologias (obrigatória)
- CBHPM: Tabela de honorários médicos da AMB (referência de valores, não obrigatória)
A TUSS define o que foi feito. A CBHPM sugere quanto cobrar. Uma não substitui a outra.
Ferramentas e Recursos
Para trabalhar com a Tabela TUSS eficientemente:
- Acesse o site da ANS para downloads da tabela completa
- Utilize planilhas de referência cruzada (procedimento x código)
- Invista em sistemas de gestão que incluam validação automática
- Participe de cursos sobre faturamento em saúde suplementar
Impacto Financeiro da Padronização
Clínicas que implementam corretamente a Tabela TUSS observam:
- Redução de até 40% nas glosas por inconsistências
- Diminuição de 60% no tempo de análise de guias
- Aumento na previsibilidade do fluxo de caixa
- Menor taxa de retrabalho administrativo
Conclusão
Dominar a Tabela TUSS não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia para otimizar o faturamento e reduzir perdas financeiras. A padronização beneficia toda a cadeia de saúde suplementar.
Para clínicas que buscam eficiência operacional, contar com um sistema de gestão que mantenha a TUSS sempre atualizada e facilite sua aplicação no dia a dia faz diferença significativa nos resultados financeiros e na produtividade da equipe.
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