Tabela TUSS: Guia Completo para Clínicas e Consultórios Médicos
Entenda como funciona a padronização de procedimentos médicos que organiza o relacionamento entre prestadores e operadoras de saúde
O que é a Tabela TUSS
A Tabela TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é um sistema de padronização criado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) que estabelece códigos únicos para procedimentos, materiais e medicamentos utilizados no setor de saúde suplementar brasileiro.
Desde 2011, seu uso é obrigatório para todas as operadoras de planos de saúde e prestadores de serviços médicos que atuam com convênios. A tabela funciona como uma linguagem comum entre clínicas, hospitais, laboratórios e operadoras.
Estrutura da Tabela TUSS
A TUSS está organizada em quatro terminologias principais:
- Procedimentos e eventos em saúde: códigos que identificam consultas, exames, cirurgias e outros atendimentos
- Diárias, taxas e gases medicinais: valores relacionados a internações e uso de estrutura hospitalar
- Materiais e OPME: órteses, próteses e materiais especiais utilizados em procedimentos
- Medicamentos: fármacos administrados durante atendimentos ou internações
Cada código TUSS possui 8 dígitos numéricos que identificam de forma única um procedimento ou item. Por exemplo, o código 10101012 corresponde a uma consulta em consultório.
Como funciona o código TUSS
A estrutura do código segue uma lógica hierárquica:
- Os dois primeiros dígitos indicam o grupo (01 para ações de promoção e prevenção, 02 para procedimentos clínicos, etc.)
- Os dígitos seguintes especificam subgrupos e procedimentos específicos
- O último dígito é um verificador que valida o código
Exemplo prático: O código 20104049 refere-se a "Eletrocardiograma". Os dígitos "20" indicam que pertence ao grupo de procedimentos clínicos, enquanto "104" especifica exames cardiológicos.
Atualização da Tabela TUSS
A ANS atualiza a tabela periodicamente, com edições numeradas sequencialmente. As atualizações incluem:
- Inclusão de novos procedimentos e tecnologias
- Exclusão de códigos obsoletos
- Alteração de nomenclaturas para maior clareza
- Ajustes em descrições técnicas
As clínicas devem acompanhar essas atualizações através do site oficial da ANS. O uso de códigos desatualizados pode resultar em glosas (recusa de pagamento) pelas operadoras.
Diferença entre TUSS e CBHPM
Muitos profissionais confundem esses dois sistemas:
Tabela TUSS: padroniza a nomenclatura e códigos dos procedimentos. Define "o que" será cobrado.
CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos): define os valores de honorários médicos. Define "quanto" será cobrado.
Na prática, uma clínica usa o código TUSS para identificar o procedimento e a CBHPM para calcular o valor dos honorários profissionais. As operadoras podem ter tabelas próprias baseadas na CBHPM, com valores diferenciados.
Aplicação prática na rotina da clínica
No momento do atendimento
- O médico realiza o procedimento e registra no sistema
- O sistema identifica o código TUSS correspondente
- A informação é enviada para o setor administrativo/faturamento
No faturamento
- A clínica gera a guia de cobrança utilizando os códigos TUSS
- Inclui dados como quantidade, data e profissional executante
- Envia para a operadora no padrão TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar)
No recebimento
A operadora analisa a guia, valida os códigos e autoriza o pagamento conforme o contrato estabelecido.
Principais erros no uso da TUSS
1. Código incorreto: selecionar um código que não corresponde exatamente ao procedimento realizado
2. Descrição incompleta: não preencher adequadamente os campos complementares da guia
3. Falta de justificativa: não anexar relatórios médicos quando o procedimento exige
4. Tabela desatualizada: usar versões antigas da TUSS após lançamento de atualizações
5. Quantidade errada: informar quantidade divergente do realmente executado
Estes erros resultam em glosas que atrasam o recebimento e geram retrabalho administrativo.
Como reduzir glosas relacionadas à TUSS
- Treinamento contínuo: capacite sua equipe sobre as atualizações da tabela
- Sistema integrado: utilize softwares que mantenham a TUSS atualizada automaticamente
- Dupla checagem: revise as guias antes do envio para as operadoras
- Documentação adequada: mantenha relatórios e justificativas técnicas organizados
- Comunicação com operadoras: esclareça dúvidas sobre códigos específicos antes do faturamento
Obrigatoriedade e fiscalização
A Resolução Normativa nº 305/2012 da ANS estabelece que:
- Todas as operadoras devem utilizar exclusivamente a TUSS
- Prestadores credenciados são obrigados a seguir o padrão
- O descumprimento pode resultar em penalidades administrativas
A ANS fiscaliza o cumprimento através de auditorias e análise de dados enviados pelas operadoras. Clínicas que não adotam a padronização podem ter contratos cancelados.
Consulta à Tabela TUSS
A consulta pode ser realizada gratuitamente:
- Site da ANS: área de "Planos de Saúde" > "TUSS"
- Download: arquivo Excel ou PDF com a tabela completa
- Sistemas de gestão: softwares para clínicas geralmente integram a TUSS atualizada
Recomenda-se verificar atualizações pelo menos trimestralmente para manter o sistema da clínica em conformidade.
Impacto no fluxo financeiro da clínica
O domínio correto da Tabela TUSS impacta diretamente a saúde financeira:
- Redução de glosas: menos rejeições significam recebimento mais rápido
- Previsibilidade: códigos corretos facilitam a projeção de receitas
- Relacionamento: menos contestações melhoram a relação com operadoras
- Eficiência operacional: processos padronizados reduzem tempo administrativo
Clínicas com baixo índice de glosas têm ciclo de caixa até 30% mais eficiente comparado às que enfrentam rejeições frequentes.
Conclusão
A Tabela TUSS é mais que uma obrigação regulatória: é uma ferramenta essencial para a organização administrativa de clínicas que trabalham com convênios. Seu uso correto garante faturamento adequado, reduz conflitos com operadoras e profissionaliza a gestão.
Investir em conhecimento sobre a TUSS e em sistemas que facilitem sua aplicação, como soluções especializadas em gestão para clínicas, traz retorno mensurável em eficiência operacional e saúde financeira.
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